
O depoimento de Paulo Roberto Costa, ex-diretor da estatal brasileira de petróleos e gás Petrobras nos governos Lula e Dilma, preso na Operação Lava-Jato, criou uma situação de pânico nos meios políticos do país, em plena campanha eleitoral.
O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto da Costa está depondo em Curitiba, onde está preso, em troca de um acordo como Ministério Público Federal de delação premiada, visando uma possível redução de pena.
Paulo Roberto foi diretor de Abastecimento e Refino da Petrobras entre 2004 e 2012 durante os governos Lula e Dilma. Nesse período, a Petrobras foi dirigida por José Sergio Gabrielli e Graça Foster, atual presidente.
Reportagem publicada sábado (6) pela revista Veja apresenta os primeiros nomes citados por ele. Segundo a revista, o esquema de corrupção denunciado por Paulo Roberto da Costa envolve, no imediato, três governadores, um ministro e pelo menos 25 deputados federais e seis senadores citados. Os envolvidos seriam do PT, do PMDB e do PP, partidos da base aliada do governo liderado pela presidente Dilma Rousseff, do PT.
De acordo com a reportagem da Veja, que não divulgou documentos, os envolvidos denunciados pelo ex-diretor da Petrobras são o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, do PMDB do Maranhão; o presidente da Câmara do Deputados, Henrique Eduardo Alves, também do PMDB e atual candidato ao governo do Rio Grande do Norte; o presidente do Senado, Renan Calheiros, do PMDB de Alagoas; os senadores Ciro Nogueira, do PP do Piauí, e Romero Jucá, do PMDB de Roraima.
A revista refere também os nomes do deputados Cândido Vaccarezza, de São Paulo, e João Pizzolatti, do PP, de Santa Catarina e ainda o ex-ministro das Cidades e ex-deputado Mario Negromonte, do PP.
A Veja menciona ainda os nomes de Sérgio Cabral, do PMDB, ex-governador do Rio de Janeiro; Roseana Sarney, do PMDB, governadora do Maranhão; e Eduardo Campos, ex-governador de Pernambuco, e candidato à Presidência da República pelo PSB, morto no mês passado num acidente de aviação, e substituído na candidatura por Marina Silva.
Segundo a revista, o ex-diretor da Petrobras nas suas declarações ao Ministério Público afirma que empresas empreiteiras contratadas pela estatal tinham de contribuir para políticos e partidos da base aliada do governo. Um dos nomes referidos é o do tesoureiro do Partido dos Trabalhadores (PT), João Vaccari Neto
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A Veja afirma que a compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, objeto de diversas investigações, possibilitou abastecer o caixa de partidos e deu propina (luvas) aos envolvidos na operação.
A maioria dos nomes citados pela Veja, que têm sido contatados pelas redações dos mídia brasileiros, nega envolvimento no escândalo de corrupção, que já veio a público há alguns meses, mas que só agora, com a delação de Paulo Roberto Costa, ganha repercussão internacional.
Tudo indica que, apesar das precauções adotadas, incluindo a criptografia de depoimentos, o Ministério Público Federal não conseguiu conter as fugas de informação.
As informações relativas a políticos deverão ser enviadaa à Procuradoria-Geral da República e ao Supremo Tribunal Federal.
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