
Marina Silva foi entrevistado pelo Jornal Nacional, ontem. Como foi com todos os candidatos, as perguntas foram bem polêmicas, exatamente o que o povo quer saber.
Logo de cara, a pergunta foi sobre o avião de Eduardo Campos. "Candidata, o avião que o PSB vinha utilizando na campanha eleitoral, até aquele acidente trágico de duas semanas atrás, está sendo investigado pelas autoridades competentes. Ele foi objeto de uma transação milionária feita por meio de laranjas. Essa transação não foi informada na prestação de contas prévia, parcial, à Justiça Eleitoral. A senhora tem dito que vai inaugurar uma nova forma de fazer política, que todo político tem que ter certeza absoluta da correção de seus atos. No entanto, a senhora usou aquele avião como teria feito qualquer representante daquilo que a senhora chama de velha política. Eu lhe pergunto: a senhora procurou saber que avião era aquele, quem tinha pago por aquele avião, ou a senhora confiou cegamente nos seus aliados?"
Esta pergunta, surpreendeu a muitos, porque não foi perguntada no debate. Marina tentou se defender como pôde. Mas Willian, insistia pertinentemente e interrompeu Marina Silva e perguntou: " A senhora sabia dos laranjas? Essa informação foi passada para a senhora como candidata a vice-presidente?"
Marina prosseguiu com seu cometário anterior, deixando de lado a pergunta. Mas Bonner interrompeu, estava realmente interessado em saber. Marina completou dizendo que o caso estava sendo investigado pela polícia federal. "As informações que tínhamos eram exatamente aquelas referente à forma legal de adquirir o provimento desse serviço. Agora, uma coisa que eu quero dizer para todos aqueles que estão nos acompanhando é que, para além das informações que estão sendo prestadas pelo partido, há uma investigação que está sendo feita pela Polícia Federal. E o nosso interesse e a nossa determinação é de que essas investigações sejam feitas com todo o rigor para que a sociedade possa ter os esclarecimentos e para que não se cometa uma injustiça com a memória de Eduardo."
Willian Bonner, é o tipo de jornalista polêmico e fez mais um questionamento, seguido de uma crítica, dizendo que todo mundo fala: 'Não Sei' 'Tem que investigar' 'Fomos Enganados' e disse que isso era uma resposta muito comum, e voltou a falar sobre a velha política que Marina fala tanto. "Candidata, quando os políticos são confrontados ou cobrados por alguma irregularidade, é muito comum que eles digam que não sabiam, que foram enganados, que foram traídos, que tudo tem que ser investigado, que se houver culpados, eles sejam punidos. Este é um discurso muito, muito comum aqui no Brasil. E é o discurso que a senhora está usando neste momento. Eu lhe pergunto: em que esse seu comportamento difere do comportamento que a senhora combate tanto da tal velha política?"
Marina rebateu e disse que o compromisso dela é com a verdade: "Difere no sentido de que esse é o discurso que eu tenho utilizado, William, para todas as situações. Inclusive quando envolve os meus adversários. E não como retórica, mas como desejo de quem de fato quer que as investigações aconteçam. Porque o meu compromisso e o compromisso de todos aqueles que querem a renovação da política é com a verdade. E a verdade, ela não virá nem apenas pelas mãos do partido e nem, também, apenas pela investigação da imprensa. Que eu respeito o trabalho de vocês. Ela terá que ser aferida pela investigação que está sendo feita pela Polícia Federal. Isso não tem nada a ver com querer tangenciar ou se livrar do problema. Muito pelo contrário, é você enfrentar o problema para que a sociedade possa, com transparência, ter acesso às informações."
Logo depois reafirmou: Meu compromisso é com a verdade.
Bonner, voltou ao caso do avião, questionando novamente, pela terceira vez, se antes de voar naquele avião não teria deixado de fazer a pergunta obrigatória se estava tudo em ordem em relação ao voo. Não lhe faltou rigor, que a senhora exige dos seus adversários?
Marina disse que o rigor que ela exige dos outros candidatos, ela coloca em primeiro lugar no seu governo. E disse que ela está esperando o resultado da investigação assim como todos.
O próximo tema abordado foi sobre as eleições de 2010, Patricia lembrou que Marina ganhou bastante votos, mas no seu estado, onde as pessoas a conhecem bem, ficou em terceiro lugar, ficou com metade dos votos do primeiro colocado José Serra, e completou com um questionamento: "Aos eleitores dos outros estados do país que não a conhecem tão bem, como é que a senhora explicaria essa desaprovação clara no seu berço político?"
Marida se defendeu dizendo que esse terceiro lugar não estava tão distante do segundo e disse que estava bem próxima da Dilma. Patrícia interrompeu dizendo: "Sim, mais foi metade do primeiro" e acrescentou falando a porcentagem: 23,45% a senhora e 52,13 o José Serra.
"Tem uma coisa, Patrícia, que até é um provérbio que a gente usa muito: é muito difícil ser profeta em sua própria terra. Sabe por quê? Porque, às vezes, a gente tem que confrontar os interesses. Eu venho de uma trajetória política que, desde os meus 17 anos, eu tive que confrontar muitos interesses no meu estado do Acre ao lado de Chico Mendes, ao lado de pessoas que se posicionaram ao lado da Justiça, da defesa dos índios, dos seringueiros, da ética na política. Isso fez com que eu tivesse que seguir uma trajetória que não era o caminho mais fácil. Aliás, na minha vida, nunca é fácil, não é? E, nesse caso, eu era candidata por um partido pequeno, em que..." disse Marina. Patrícia tentou interromper mas Marina continuou com seu pensamento; "Por um partido pequeno, concorrendo contra duas máquinas muito poderosas, com 1 minuto e 20 segundos de televisão. E, mesmo assim, a candidata do PT, que tinha o governo do estado, senadores, deputados, vereadores, prefeitos... Eu fiquei muito próxima a ela. E isso..." completou.
Essa resposta não convenceu Patrícia que argumentou: "O que eu estou querendo dizer é o seguinte: o berço político de um candidato é onde ele é mais conhecido pelos eleitores. Isso pode ser uma enorme vantagem para um candidato ou não. No seu caso não foi. Não seria como se os acreanos estivessem dizendo uma variação daquele velho ditado: “Quem não a conhece que vote na senhora”?"
Marina disse que Patrícia não conhecia sua história então. A jornalista afirmou que conhecia, e que estudava bastante antes das entrevistas. Marina, respondeu: "Eu, como senadora... Mas eu faço questão de dizer porque eu acho que você tem um certo desconhecimento do que que significa ser senadora vindo da situação que eu vim. Eu não sou filha de político tradicional, não sou filha de nenhum empresário, porque, no meu estado, até a minha eleição, para ser senador da República, era preciso ser filho de ex-governador, era preciso ser filho de alguém que tivesse, de preferência, um jornal, uma TV e uma rádio para falar bem de si mesmo e falar mal daqueles que ficavam defendendo a Justiça."
Patrícia argumentou: A culpa é dos Acreanos então?
Não é culpa dos acreanos, é culpa das circunstâncias... Bonner tentava fazer outra pergunta, mas Marina prosseguia, foi interrompida 5 vezes até que cedeu.
Depois foi debatido os assuntos sobre Transgênicos e Células Troncos.
Bonner, meio que não conseguia entender, e disse que isto não estava claro!
Marina disse que não estava claro para ele, mas queria deixar claro para o telespectador.
Por último, o Jornal concedeu um minuto e meio para a candidata falar seus projetos.
"Em primeiro lugar, eu gostaria de poder dizer para os nossos telespectadores que um dos projetos mais importantes, neste momento da história do Brasil, é que a gente possa renovar a política. De que a gente não desista de ter na política aquilo que os brasileiros tanto querem, que é vê-la a serviço de resolver os principais problemas do cidadão. Infelizmente, a política tem sido motivo de apartação, de contenda, da luta do poder pelo poder. Para mim, a política deve ser utilizada para unir as pessoas, para que, mesmo com interesses diferentes, a gente seja capaz de mediar os conflitos e fazer aquilo que é melhor para o benefício do povo brasileiro. Como presidente da República, eu quero que você me ajude a ser presidente da República para ser a primeira presidente que vai, que assume o compromisso de que não vai buscar uma nova eleição, porque eu não quero ter um mandato que comprometa o futuro das próximas gerações."
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